A reforma da pós-graduação – I

Série de cinco artigos publicados na última edição da revista Nature discute o estado atual dos programas de doutorado no mundo. Apresentam diferentes pontos de vista, e com uma temática diversificada sobre o assunto. O primeiro artigo é de autoria de Mark C. Taylor, chefe do departamento de religião da Columbia University (New York), o qual apresenta uma posição que eu classificaria como bastante radical:

“The system of PhD education  (…) is broken and unusustainable (…) it creates only a cruel fantasy of future employment that promotes the self-interest of faculty members at the expense of students.”

[“O sistema de educação do doutorado (…) está quebrado e é insustentável (…) cria somente uma fantasia cruel de se conseguir empregos que promove o interesse próprio dos acadêmicos às custas dos estudantes.”]

Taylor define o atual sistema de doutoramento como tendo por base um modelo criado na idade média européia, em que os estudantes seriam formados como clones de seus mentores. Em consequência ao grande número de alunos formados, atualmente não existem mais vagas nas universidades norte-americanas para carreiras acadêmicas. Além disso, a crise de 2008 levou muitas universidades (senão todas) a perdas significativas de capital, tornando praticamente impossível o investimento na contratação de novos quadros. A crise também afetou o sistema federal de financiamento, e os recursos para o sistema acadêmico ficaram ainda mais limitados. Como a competição por recursos aumentou muito, Taylor propõe uma mudança radical no sistema de pós-graduação norte americano, que é principalmente focado no doutorado (PhD).

Sendo assim, defende mudanças tanto de caráter curricular como institucional. Considera que a formação dos estudantes de doutorado é por demais especializada, fragmentada e por vezes irrelevante. Propõe que as universidades devem “quebrar as paredes” que separam os diferentes campos de conhecimento, e fortalecer programas que promovam formação interdisciplinar. Os currículos deveriam ser alterados para focalizar na resolução de problemas reais. Para tanto, Taylor considera imprescindível que as instituições deixem de atuar de maneira independente, e que os problemas sistêmicos possam ser abordados de maneira mais abrangente e cooperativa. Também propõe que programas de doutorado redundantes sejam eliminados. A reforma proposta por Taylor também incluiria abolir o sistema competitivo de avaliação de “rankings” das universidades, para que estas possam atuar de maneira mais cooperativa, compartilhando professores, estudantes, recursos, de maneira a aumentar as oportunidades de educação de doutorado de maneira eficiente. Tal tipo de “consórcio” seria constituído por membros permanentes e não-permanentes de várias instituições, reduzindo o número de programas de pós-graduação e de orientadores. Desta forma, os alunos teriam acesso a uma maior diversidade de professores/pesquisadores com diferentes formações, o que seria um fator adicional para incrementar sua formação. Taylor conclui que, embora o sistema educacional como um todo deva sofrer uma reformulação, deve-se começar do topo, com uma total reformulação dos programas de pós-graduação, de todas as áreas.

E no Brasil? Como tais propostas de mudanças seriam consideradas?

A grande maioria dos programas de pós-graduação brasileiros é muito recente e ainda está amadurecendo. Os programas consolidados mudaram muito pouco nestes últimos 20-30 anos. A adoção de exames de seleção e ingresso, disciplinas obrigatórias e optativas para cada programa ou áreas de concentração de um mesmo programa, exames de qualificação e defesa de tese é um sistema de pós-graduação bastante tradicional no Brasil. Finalmente, o sistema brasileiro de avaliação da pós-graduação ainda é essencialmente “métrico” (no sentido de se adotar indicadores como índices de publicações, tempo de titulação, qualidade das publicações considerando-se quase que exclusivamente fatores de impacto das revistas científicas, número de egressos/ano, dentre outros indicadores), talvez em decorrência de uma dificuldade intrínseca de se realizar uma avaliação de caráter qualitativo. A CAPES, responsável pela avaliação de todos os programas de pós-graduação do Brasil, estabelece critérios bastante definidos para a avaliação dos programas de pós-graduação. Embora a avaliação da qualidade dos programas de pós-graduação do Brasil seja necessária, o modelo de pós-graduação de cada instituição, ou de cada programa, deveria ser definido pela própria instituição. Porém, isso tornaria a avaliação dos programas muito mais difícil de ser realizada.

Voltando ao artigo de Taylor, este ignora o papel essencial do mercado no direcionamento da formação dos doutores norte-americanos. Ora, a contratação de doutores por empresas está estabelecida há mais de 100 anos nos EUA, e simplesmente não pode ser negligenciada quando se leva em conta a necessidade da formação de doutores, bem como das áreas de especialização “em voga”. Taylor argumenta que o mercado acadêmico dos EUA está saturado. E daí? Faz décadas que a grande maioria dos doutores formados nos EUA não são contratados pelas universidades, e sim por empresas. E esta foi uma característica que fez com que as empresas norte-americanas se tornassem extremamente competitivas, e este modelo foi exportado para o Japão do pós-II Guerra Mundial. Em muitos países europeus isso também é verdade. Mas no Velho Mundo a situação parece estar um pouco mais crítica, pois ao que tudo indica o interesse dos estudantes em fazer pós-graduação têm diminuído ano após ano. Tais fatores justificariam plenamente uma re-avaliação dos programas de pós-graduação, mas certamente não em função do mercado de trabalho acadêmico.

Se o que Taylor diz sobre a origem medieval do modelo atual da pós-graduação é verdade, já passou da hora deste ser revisto. A “clonagem de mentores” deveria realmente ser muito questionada. Embora a especialização seja desejável, a especialização em excesso faz com que o profissional formado tenha uma visão de seu universo de atuação bastante limitada. O problema é que no Brasil esta especialização está ocorrendo já nos cursos de graduação. Muitos cursos de graduação estão oferecendo “ênfases” ou “especializações” atraentes, “da moda”, ou que às vezes atendem a interesses de alguns grupos de pesquisa da instituição que oferece tais cursos. E aí mora o perigo: a especialização excessiva prematura pode levar à formação de profissionais completamente obnubilados.

Algumas instituições brasileiras já oferecem alguns cursos de pós-graduação de caráter interdisciplinar. O fortalecimento de tais programas, ou a criação de programas realmente interinstitucionais (envolvendo diferentes universidades) é um desafio interessante. Porém, focalizar a formação dos alunos para a resolução de problemas reais é enxergar a formação destes com um viés limitado. Também é desejável que existam doutores que se dediquem à pesquisa básica, fundamental. Tal opção deve ser de escolha do candidato ao doutorado, como já ocorre normalmente quando da escolha do orientador: destes, alguns apresentam linhas de pesquisa de caráter mais fundamental, outros de caráter mais aplicado. Os alunos buscam uns, ou outros.

Eliminar o sistema de avaliação por “rankings” é um sonho. Mesmo assim, a atuação das universidades de maneira mais cooperativa, como proposto por Taylor, é uma proposta inteligente, inclusive para melhor aproveitamento de recursos e para a formação de “centros”. Talvez estes surjam naturalmente no Brasil nos próximos anos, como consequência do programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, financiados tanto por órgãos de fomento federais como estaduais (a FAPESP, por exemplo, é a segunda maior financiadora dos INCTs).

Mas começar a reformulação do sistema educacional a partir do topo? Será este o caso?

ResearchBlogging.orgTaylor, M. (2011). Reform the PhD system or close it down Nature, 472 (7343), 261-261 DOI: 10.1038/472261a



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16 respostas

  1. Avatar de Jailson Rodrigo Pacheco

    Lendo o teu artigo eu concordo com muitas de suas colocações.
    Em primeiro lugar, sou mestre em química analítica, trabalho em uma instituição privada que não é voltada ao ensino formal, mas mesmo assim há uma forte pressão sobre a formação com no mínimo mestrado, apontando em um médio prazo há a necessidade de se ter doutores.
    Na busca por um programa de doutorado na área que atuo (ensino de química, mais especificamente) eu me deparei com as mais variadas situações: programas que exigem, por exemplo, 16 disciplinas (isso mesmo, disciplinas) para que o aluno de doutorado possa concluir seus créditos e partir para a pesquisa.
    Qual a credibilidade de um programa em que os professores acham que um aluno de alto nível precise fazer praticamente uma carga horária de outra graduação para que possa ter o título? E ainda, qual o espaço para a pesquisa neste programa?
    Há programas que existem provas para novos alunos, como se o mestrado já não fosse uma peneira grande.
    O que eu tenho notado nesta área (Ensino de ciências) é os programas têm-se se consolidado em uma estrutura muito tradicional e excludente, além do que muitas pesquisas apontam para uma escola ideal, que não condiz com a realidade brasileira. Por outro lado, vejo nos cursos de Doutorado em química um nível de excelência internacional, mas que não se torna um atrativo para as empresas privadas brasileiras.
    Meus amigos de graduação, que hoje já são doutores ou doutorandos, estão nos institutos federais de ensino e universidades públicas. Alguns, são pesquisadores com uma qualidade indiscutível, porém péssimos professores, e aqui chegamos a um ponto que acredito que haja uma necessidade de discussão: Doutorado, para quê?
    – Para formar professores universitários que não sabem gerar uma discussão na sala de aula?
    – Para produzir pesquisadores de alta qualidade que não são contratados por nossa indústria privada?
    Essas são perguntas sem resposta, mas que mereceriam uma abertura na universidade para se discuti-las.

  2. Uma reforma proposta do topo é viável?

    Da forma como está constituído o sistema de pós-graduação infelizmente a unica maneira de reformá-lo será a partir do topo, e por que?

    Os pós graduações são as estruturas não só com origem mais medieval são também estruturas que conservam o caráter medieval. A figura do senhor e do vassalo, os atos e os ritos de vassalagem que os alunos devem cumprir para ter o direito de sentar a mesa do senhor são claras nesta estrutura. O caminho é definido pelo senhor as regras de obediência também são claras e caso o vassalo não as cumprir deverá ser julgado pelos pares (do senhor, é claro). Os senhores definem o que deve e o que será feito, e de preferência exatamente no mesmo caminho que ele já trilhou para que o senhor não fique perdido em novas trilhas. Além disto temos o alta e o baixa nobreza, a alta nobreza composta pelos nobres mais antigos que foram consagrados a mais tempo e possuem títulos nobiliárquicos mais importantes, os condes (orientadores) são superiores aos demais baronetes (professores com doutorado mas que não podem orientar), agora quem estabelecem as regras de transição debaronetes a condes, a assembléia especial dos condes, onde só os condes mais nobres eleitos pelos outros condes ditam as normas de como um dia, por direito de herança, com a morte de um conde ascenderá um ou outro ungido pelos grandes senhores.

    Roberto, procurei ironizar um pouco a estrutura universitária na parte que diz respeito à pós-graduação, mas a ironia é pouca para reproduzir a estrutura mais anti-democrática e autocrática que existe dentro da estrutura menos democrática da nossa república. Quero dizer, a pós-graduação dentro da Universidade. Até o judiciário está aceitando estruturas de auto-regulamentação, porém a liberdade de cátedra está escondendo da sociedade grande parte do que é feito, e o pior como é feito: o gasto dos recursos que a nação entrega a parte da Universidade. A graduação é transparente para a massa, as pressões são diárias e tem-se que rapidamente resolvê-las sob a pena de ficares sufocada sobre ela. Entretanto a grande caixa preta da Universidade está nos seus cursos de pós-graduação, e quanto maior o nível mais caixa preta ela se transforma.

    Não colocarei aqui o problema da má formação que dá um curso de doutorado, isto ficou patente com a nova regulamentação da decisão 1010 do CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) que permite ser agregado as habilitações dos profissionais os conceitos adquiridos nos cursos de pós-graduação, o que ficou evidente? Que quase nada precisará ser agregado as atribuições dos egressos dos cursos de doutorado, pois o que é agregado é pontual, cobrindo só parte de uma ou duas atribuições. Em resumo, o aluno de doutorado fica mais três ou quatro anos na academia e recebe como incremento no seu currículo o equivalente ao mesmo que receberia se pedisse reingresso na Universidade e cursasse uma ou duas disciplinas.

    A realidade diz tudo.

    • Caro Rogério,

      Note que a proposta de Taylor é a reforma do sistema educacional como um todo, a partir do topo. Não somente da pós-graduação.

      Ri um bocado com seu texto sobre o caráter medieval da academia. É uma analogia que tem lá seu fundo de verdade.

      abraço,
      Roberto

  3. Roberto,

    Discussão extremamente necessária. Mas acho que o gargalo aqui é ainda maior, já que temos um abismo entre mercado de trabalho e doutores. Não vejo uma demanda empresarial por PhDs, na verdade nem por mestres. Mesmo no ensino superior particular, onde a demanda por mestres e doutores deveria ser grande, estes são os primeiros a serem demitidos assim que o MEC homologa novos cursos. Acho que a pergunta no nosso caso é “pós pra quê?”

    • Caro Átila,

      É um paradoxo que vejo como sendo de extrema importância de ser discutido e que se busque formas de minimizar (o gargalo entre a formação em pós-graduação e o mercado de trabalho). A demanda por mestres já existe, pelo menos em química. Muitas empresas já perceberam que é melhor contratar mestres do que recém-graduados. Mas não doutores. Enquanto o MEC não atuar realmente como regulador e fiscalizador, as instituições de ensino superior particular tentarão sempre minimizar a contratação de professores mestres e doutores, uma vez que os salários que devem ser pagos a estes devem ser maiores.

      No meu ver o que falta é uma cultura que valorize o pós-graduado, em dois sentidos: a) no mercado de trabalho, uma vez que estes profissionais são altamente qualificados, e; b) no próprio sistema de ensino de pós-graduação, uma vez que a massificação está fazendo com que os pós-graduados sejam vistos apenas como estudantes em um estágio mais avançado. Se levarmos em conta o custo associado com a formação do mestre e do doutor, a massificação da pós-graduação pode estar consumindo um volume de recursos considerável sem que haja um retorno adequado para a sociedade em termos da qualidade deste profissional.

      Quando fiz meu pós-doutorado na University of British Columbia, me explicaram como funciona(va?) a pós-graduação na UBC. O estudante ingressa no mestrado, faz um ano de cursos avançados e ao final deste ano presta um exame único sobre todos os cursos que realizou, diante de uma banca de 3 professores. Se for aprovado, ingressa no doutorado. Se não for aprovado, pode concluir o mestrado (+ 1 ano a 1 ano e meio, no máximo), mas não pode fazer o doutorado (pelo menos mais 4 anos). Confesso que achei o sistema extremamente interessante, por que nivela por cima. Os doutores formados são de alto nível, como eu acho que deve ser. O problema é que aqui no Brasil uma política deste tipo seria extremamente mal vista, pois seria meritocrática e não inclusivista, que acha que todos os que quiserem fazer doutorado devem ter oportunidade para isso. O problema é que quando chega na hora da qualificação e da defesa a gente vê a diferença. E percebemos que estamos colocando no mercado doutores mal formados. Então, volto à sua pergunta: pós-graduação para quê? Apenas para tornar a formação mais longa e mais cara, já que a formação dos doutores é deficiente? Seria melhor suprimir a pós-graduação. Ou então fazer com que esta seja realmente de qualidade, para que os recursos que estão sendo aplicados na formação destes profissionais sejam bem aplicados.

  4. Atila.

    Vou dar uma explicação mais simples que a do Roberto, talvez ele me expurgue do Blog, mas não vai ser do primeiro que sou considerado “persona non grata”.

    No início da criação dos cursos de doutorado, lá pelos anos setenta, se formava uma meia dúzia de doutores e a maior parte deles era absorvido pela academia, hoje em dia as vagas estão ficando lotadas em determinados setores e faltando em outros. Logo não vejo maior futuro para quem faz um doutorado em áreas que estão saturadas. Eles estão fadados a conseguir uma bolsa de jovem doutor e daqui a uns 20 anos quando o seu orientador cair na compulsória ele com cinquenta poderá deixar de ser um jovem doutor para passar a ser um velho professor. Diga-se de passagem, como jovem doutor, ou recém doutor, ou visitante temporário ou ainda como professor substituto ele fará umas dez publicações junto com o seu orientador, garantindo que o mesmo suba na carreira universitária (o orientador é claro).

    Queiramos ou não o Brasil é um país que ainda produz muito pouco em questão de tecnologia e o que interessa mais aos coordenadores dos cursos de pós-graduação é ter uma boa nota na CAPES. Para que os cursos tenham boas notas na CAPES eles tem que ter publicações de nível internacional, se elas servem ou não para a empregabilidade dos futuros doutores, isto não aflige muito os professores e muito menos os coordenadores dos cursos.

    Meu caro Atila, reza para a gripe ser forte neste inverno, de repente abre vaga em diversas universidades.

    (Nota, eu sou professor há 34 anos e me aposento dentro de dois anos e meio, espero aguentar mais dois invernos, depois abre vaga).

    • Parabêns pela sua lucidez professor Rogério Maestri, eu pensei mesmo que talvez uma aposentadoria voluntária para muitos professores seria um novo folego para as Universidades, senão compulsória mesmo, com direito a ir viver na perto do mar em sossego; queria eu ter essa possibilidade.
      Abraço,
      Hadriano

  5. Vou arriscar mais ainda a expulsão!

    O raciocínio geral da academia é o seguinte:

    Criamos pessoas altamente qualificadas para a pesquisa e depois cai do céu as empresas que queiram fazer pesquisa no Brasil.

  6. Ainda tem este ponto, Roberto (e Rogério), que doutores são esses? Sei de pouquíssimos casos de doutorandos que não puderam ter o título, e por se tratar de casos extremos, a ponto do próprio aluno reconhecer que a situação não permitia a conclusão da pós. Mesmo assim, vários outros casos de doutorados e mestrados fraquíssimos são defendidos e concedidos todos os anos.

    Já cheguei a ouvir argumentos como “Se qualificou, têm que defender. Se fosse pra reprovar, tivessem reprovado antes.” E não estou falando de massificação ou do retorno que o título tem para a sociedade. Falo da validade de chamar o doutor formado de doutor. Isso dentro da USP, uma das melhores instituições de pesquisa em biológicas. Gostaria de ver os índices de reprovação das unidades de pós do país, aposto que são baixíssimos. E duvido que seja por conta de uma seleção prévia rigorosa.

    Ou seja, a situação é ruim nos dois sentidos. Formam-se maus doutores e os bons ainda ficam sem perspectiva.

    Reconheço que não consigo citar um (bom) doutor formado que conheci em situação ruim. Estão quase todos contratados em concursos. E é justamente pra isso que o pós-doc tem servido, um “espera vaga” até aparecer um concurso. Mas o Estado não tem obrigação nenhuma de abrir vagas para todos os doutores que forma. Qual vai ser a situação quando as novas vagas de docentes estiverem preenchidas. e estes novos docentes estiverem formando ainda mais doutores?

    • Oi Atila,

      Este ponto que você levantou é extremamente importante: como estamos avaliando nossos candidatos a doutores. Houve uma época que havia nota (sim, nota), de 0 a 10, para a avaliação da banca. Atualmente só existe “aprovado” ou “reprovado”. Em 17 anos de USP soube de apenas 1 caso de aluno que foi reprovado no Instituto de Química de São Carlos (onde trabalho). A taxa de reprovação de postulantes ao título de doutor é baixíssima, como você bem apontou. E porque deveria ser diferente de cursos de graduação, por exemplo, que devem ter taxas de reprovação entre 10 e 20%, dependendo do grau de exigência do professor? No caso da pós-graduação acho que existem alguns fatores que fazem com que a taxa de reprovação seja baixa: corporativismo, paternalismo e medo dos membros da banca de se expor diante do público e muitas vezes dos pais do candidato que ali se apresenta. Ou seja, nada a ver com a avaliação séria dos candidatos. Portanto, esta avaliação deveria mudar e, no meu ver, ser mais rigorosa.

      Eu conheço um bom doutor formado que ainda não conseguiu se inserir no mercado de trabalho. Espero que consiga, e logo. Também concordo com sua avaliação sobre o pós-doutorado, Atila. O desempenho geral dos pós-doutores que já conheci, aqui no Brasil, é muito inferior ao desempenho dos pós-doutores dos EUA e do Canadá.

      Eu espero, sinceramente, que o mercado de trabalho na iniciativa privada reconheça o valor e a importância dos doutores que estamos formando, que são de extrema importância para o salto de desenvolvimento deste país.

  7. Hadriano.

    Quem tem telhado de vidro, não atira pedras no telhado do vizinho.

    • Caro Rogério, não tenho teto de vidro, nem quanto ao meu português, entretanto, quem passou anos dentro do sistema provavelmente não pode dizer o mesmo. Sem direito de resposta fica fácil tecer comentários que não podem ser respondidos.

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