A revista VEJA desta semana (15 a 21 de maio) traz entrevista com o matemático, presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis. A seguir alguns trechos da entrevista.
JP – (…) Existe uma correlação direta entre base científica sólida e desenvolvimento econômico.
VEJA – O que o Brasil pode depreender da experiência internacional?
JP – Há muito o que aprender com os chineses, que levam hoje o conceito do mérito às últimas conseqüências. Para atrair de volta ao país os milhares de cérebros que seguiam carreira em universidades americanas e européias, o governo passou a lhes fazer propostas agressivas. Eles chegam a ganhar o dobro ou até o triplo que a média do restante dos cientistas e trabalham em laboratórios de altíssimo nível. (…). Curiosamente, lá, ao contrário daqui, não existe nenhum problema com a idéia de que vizinhos de mesa recebam salários diferentes.
VEJA – Em proporção ao PIB, a China destina 40% a mais que o Brasil à área de pesquisa e desenvolvimento. Falta de dinheiro é um problema essencial?
JP- (…) nosso desafio não se limita a expandir o orçamento, mas deve contemplar, sobretudo, a racionalização nos gastos do dinheiro já disponínel. Repito: é premente que se rompa de vez na academia brasileirs com o velho espírito napoleônico, segundo o qual a igualdade deve prevalecer sobre a meritocracia. (…)
VEJA – Há outros obstáculos no Brasil para atrair os melhores cientistas?
JP – As universidades públicas brasileiras cultivam o conceito da autoproteção. Nas nações mais desenvolvidas da Europa e nos Estados Unidos, valoriza-se ao máximo a internacionalização. Não importa a nacionalidade do cientista, basta que ele esteja entre os melhores para ser cobiçado. Aqui, as instituições de ensino acham que os estrangeiros vão ocupar o logar dos brasileiros. Por isso, praticamente há uma espécie de reserva de mercado. (…)
VEJA – A Coreia do Sul fez uma revolução em todos os níveis de ensino em quatro décadas. Por que no Brasil o processo tem sido tão mais lento?
JP – O grande mérito da Coreia foi traçar um plano bastante objetivo para a educação, enxergando décadas à frente, sem jamais abandonar suas metas. Planejamento de longo prazo é algo que o Brasil não está habituado a fazer por uma questão cultural e também econômica. (…)
VEJA – Como tornar as aulas mais atraentes e eficazes?
JP – A experiência das melhores escolas, no Brasil e no exterior, mostra que uma boa aula pressupõe desafiar os estudantes o tempo todo, de modo que eles sejam expostos a problemas cada vez mais complexos e estimulantes intelectualmente – o avesso da decoreba. Apenas num ambiente assim se abre o espaço necessário para a inventividade. (…)
Leia a entrevista completa do Prof. Jacob Palis à VEJA, aqui.
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Será que vejo no fundo do coração do autor, uma certa mágoa, descaso, preconceitos de situações vividas?
Talvez. Porém, devemos considerar que nossas interpretações são apenas interpreteções. Como saber se nossas interpretações estão realmente corretas?