A USP em rankings de universidades

Notícia divulgada no último dia 5 de setembro na imprensa escrita diz que a Universidade de São Paulo (USP) subiu 84 posições em ranking de 300 universidades do mundo todo, para a 169ª posição, ranking este feito pela QS World University (QSWU). Embora esta seja uma notícia muito boa, merece ser analisada com cuidado quando se avalia a posição da USP em outros rankings de universidades. Por exemplo, no ranking da Ranking Web World Universities (RWWU), a USP aparece em 43º lugar. Já no ranking THE (Times Higher Education) World University Rankings 2010 (o de 2011 não foi divulgado), a USP não surge entre as 200 universidades listadas. Ou seja, pode estar em 201º lugar, como abaixo também.

O que se observa nestes rankings?

Que as primeiras universidades classificadas são sempre as mesmas:

Harvard University (1ª no THE, 2a no QSWU, 2a no RWWU)

California Institute of Technology (2a no THE, 12o no QSWU, 13a no RWWU)

Massachussets Institute of Technology (3o no THE, 3o no QSWU, 1o no RWWU)

Stanford University (4o no THE, 11o no QSWU, 3o no RWWU)

Princeton University (5º no THE, 13o no QSWU, 39o no RWWU – bem diferente dos outros 2 rankings)

University of Cambridge (6º no THE, 1o no QSWU, 16o no RWWU)

e por aí vai para as Universidades de Oxford, California-Berkeley, Imperial College (Londres), Yale, UCLA (Los Angeles), dentre outras, quase todas dos EUA e Inglaterra.

Quanto mais abaixo no ranking, mais as posições variam, o que parece ser óbvio.

Porém, o interessante é analisar quais universidades estão “vizinhas” da USP em cada um dos dois rankings em que aparece classificada.

No QSWU, a Universidade Autônoma do México aparece “empatada com a USP, sendo que a Universidade de Bath (Reino Unido) surge acima, e a Chulalongkorn University da Tailândia (!) surge abaixo.

Já no RWWU, acima está a Simon Fraser University (Vancouver, Canadá) e abaixo a Universidade de Southampton (Reino Unido). Ou seja, no RWWU a USP está muito bem posicionada.

Ou seja, tudo depende dos critérios utilizados para avaliação.

Os critérios do RWWU, no qual a USP surge em 43ª posição, incluem:

– Suporte de iniciativas de acesso aberto a periódicos e material acadêmico (a USP provê acesso a 22.810 revistas eletrônicas, seja via portal CAPES ou assinaturas institucionais)

– Desempenho global e visibilidade.

– Resultados de pesquisas, bem como visibilidade e presença de professores/pesquisadores na internet.

No caso da QSWU, os critérios incluem a avaliação de seis parâmetros:

Reputação acadêmica (40% do peso da avaliação)

Reputação do empregador (10% do peso da avaliação)

Citações por faculdade (ou unidade), usando o SCOPUS (20% do peso da avaliação)

Razão professor/aluno (20% da avaliação)

Proporção de alunos estrangeiros (5% do peso da avaliação)

Proporção de estrangeiros no corpo docente (5% do peso da avaliação)

Já no caso do ranking THE, os critérios utilizados fazem uso de 13 indicadores de desempenho, os quais são agrupados em cinco categorias principais:

Ensino – ambiente de aprendizado (peso de 30% na avaliação)

Pesquisa – volume, financiamento e reputação (peso de 30% na avaliação)

Citações – influência da pesquisa (peso de 32,5% na avaliação)

Financiamento da iniciativa privada – Para inovação (peso de 2,5% na avaliação)

Internacionalização – do pessoal e dos estudantes (peso de 5% na avaliação)

Nota-se que enquanto os critérios da RWWU parecem ser menos abrangentes, e menos “acadêmicos”, neste ranking a USP aparece muito bem classificada, em uma avaliação que está diretamente relacionada à visibilidade na internet.

Já nos rankings da QSWU do do THE, com critérios muito mais “acadêmicos”, a avaliação da USP é bem menos favorável (embora tenha melhorado significativamente no caso do ranking da QSWU de 2010 para 2011).



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3 respostas

  1. Oi, Roberto!

    Tantos rankings, e tantos critérios diferentes, “acadêmicos” ou não.

    Por quê tanta sedução por essas listagens? As IES curvam-se a elas…

    • Oi Sibele,

      Se a gente levar em conta que a classificação na faixa “top” dos rankings realmente quer dizer que a universidade é boa, principalmente nos rankings com “critérios acadêmicos”, creio que vale a pena o esforço institucional para atingir tais níveis. Não é por acaso que a classificaçao da UFRGS vêm melhorando nos últimos anos, juntamente com os indicadores da USP, UNICAMP e UNESP. A UNESP tem se preocupado na avaliação do desempenho dos docentes nos últimos anos, e implementou uma série de medidas neste sentido. Os resultados são visíveis. O atual reitor da USP tem investido substancialmente em infra-estrutura e em pesquisa. Só neste ano, com a criação dos Núcleos de Apoio à Pesquisa, foram R$ 70 milhões nos NAPs. O portal SIGA de avaliação dos cursos de graduação está sendo continuamente aprimorado. Creio que falta um pouco mais de apoio aos cursos de pós-graduação, principalmente apoiar os cursos de excelência (notas CAPES 6 e 7) e incentivar os cursos de menor nota para crescerem e se consolidarem como sendo também de excelência. Embora tais iniciativas levem algum tempo para mostrarem resultados, acredito que estas devam ser políticas institucionais, independentemente da administração (reitoria) do momento. Mas inegavelmente o investimento das 3 universidades estaduais paulistas na excelência insittucional têm sido crescente. Não é fácil, pois exige muito trabalho dos docentes, muito engajamento institucional, compromisso com as atividades início, meio e fim das universidades. Mas é o único caminho aceitável: melhorar cada vez mais. E tais políticas terão reflexo direto na classificação destas universidades nos rankings internacionais.

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