Mauricio Rocha e Silva fala da Clinics e da pesquisa do Brasil na Globo News



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5 respostas

  1. Passo mal vendo tal matéria. Primeiro, o fator de impacto da Revista Clinics é 1.591 (2010). Segundo, afirmar que o Brasil está à frente de países como a Rússia, China e India em termos de qualidade, e ainda, que o Brasil ocupa a 13a posição no mundo em termos de produção científica soa como propaganda. Propaganda como o anúncio pelo governo atual de repatriar os cientistas brasileiros no exterior (ci. 5000).
    Após 20 anos na Europa, 1 mestrado, 1 Ph.D. e 4 postdocs fui intimado pelo CNPq por processo judicial a retornar ao Brasil. Retornei e…NADA. Ah, perdão, tive o projeto de pesquisa por mim elaborado roubado por professores da UFPR na minha segunda tentativa de retornar ao País.
    Ainda, o ranking das 400 melhores Universidades segundo a Times Higher Education (2010-2011) posiciona a USP na 178a posição e a UNICAMP na 294a posição. As únicas Universidades Brasileiras entre as 400. (Sim, há outros “rankings”…mas as coisas não mudam significativamente).
    http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/2011-2012/top-400.html

    Assim sendo, reproduzo aqui as palavras muito mais lúcidas do professor Emérito da Unicamp, ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE – FOLHA DE SP 22/06/2011

    “Sabemos por que nossas universidades são deficientes; resta ver se temos vontade política para mudar, o que ainda não conseguimos fazer Há exatos 35 anos, em 22/6/1976, escrevi o artigo inaugural da seção “Tendências/Debates”, intitulado “Tecnologia e humanismo”. Desde então, especialmente nos últimos dez ou 12 anos, ficou universalmente reconhecida a importância das universidades ditas de pesquisas para o desenvolvimento econômico de seus respectivos países. Como consequência, proliferaram diferentes esquemas de avaliação, em que se incluem ordenações por qualidade (ranking). Embora opiniões sobre o que seja qualidade divirjam, é notável a convergência das classificações das universidades de todo o mundo, realizadas com critérios distintos. Exemplo expressivo é o fato de que, dentre as dez primeiras classificadas, estão quase sempre as mesmas sete ou oito americanas e as duas ou três inglesas, quaisquer que sejam os critérios. Essas características ocorrem até pelo menos a ducentésima posição, embora sem a mesma acuidade que no caso das dez primeiras. A pertinência dessas avaliações, incômodas, para dizer o menos, para certos acadêmicos, não surpreendentemente é contestada. Se no Brasil as avaliações negativas de suas universidades serviram apenas para provocar ressentidos diatribes inconsequentes, em países maduros e em outros emergentes elas ao menos produziram tentativas de identificação das razões das deficiências de suas instituições de ensino superior; em alguns casos, reformas já foram encetadas. O presidente da Universidade Yale (EUA), Richard C. Levin, em recente artigo na revista “Foreign Affairs”, mostra como a China elegeu nove universidades (denominadas C9) para concentrar recursos, o que já havia acontecido com Japão, Coreia do Sul e Taiwan. A agenda da Índia é ainda mais ambiciosa, com 14 universidades escolhidas. Os países que estão se desenvolvendo mais aceleradamente no Oriente imitam nesse aspecto os EUA e a Inglaterra. A França encomendou um estudo a um grupo de intelectuais provenientes de vários países (a “Missão Aghion”), com a finalidade justamente de identificar as diferenças entre as grandes universidades do exterior e as francesas. O relatório resultante serve melhor ao Brasil que à França. Abaixo, listamos as diferenças essenciais entre as universidades brasileiras e as universidades mais bem qualificadas dos EUA e da Inglaterra. 1 – O órgão máximo no Brasil, o conselho universitário, é constituído essencialmente por membros da corporação interna (70 na Unicamp e cem na USP), enquanto nas grandes universidades do exterior o órgão colegiado supremo é formado por uma grande maioria de cidadãos prestantes externos à universidade (entre dez e 15), frequentemente empresários, dirigentes de instituições da sociedade civil etc. 2 – Enquanto no Brasil eleições de reitores e diretores se fazem entre e por grupelhos da corporação interna, desnaturando a atividade acadêmica, nas boas universidades do exterior o conselho escolhe um comitê de busca para procurar seus reitores e diretores, principalmente fora da universidade. 3 – No Brasil, tudo favorece a endogenia (“inbreeding”), enquanto no exterior uma pluralidade de mecanismos é adotada para eliminá-la em todos os níveis da carreira universitária. São escolhidos fora da universidade os professores titulares e, por vezes, os associados. 4 – Finalmente, nas universidades americanas o pesquisador-docente só alcança estabilidade, e assim mesmo precária, no fim da carreira; aqui, começa como vitalício. Sabemos, portanto, por que nossas universidades são deficientes. Resta ver se temos vontade política para mudar, o que não fizemos nesse intervalo de 35 anos. *ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 79, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.”

  2. É evidente o contraste entre as declarações do Prof. Dr. Maurício Rocha e Silva e o comentário do Prof. Dr. Rogério Cezar de Cerqueira Leite acima postado, ambas feitas em 2011. Segundo o Prof. M. Rocha e Silva, o Brasil ocupa a 13a posição no ranking mundial de produção científica. Visto que o setor privado brasileiro não contribui significativamente para a mesma, presume-se que quase sua totalidade seja produto das universidades federais e estaduais brasileiras.
    Assim, torna-se difícil conciliar a afirmação de que o Brasil ocupa a 13a posição no ranking mundial de produção científica enquanto que as duas melhores universidades brasileiras, a USP e a UNICAMP, ocupam a 174a e 297a, respectivamente. Essas são as duas únicas universidades brasileiras entre as 400 melhores segundo o ranking da Times Higher Education (http://www.timeshighereducation.co.uk/world-university-rankings/2011-2012/top-400.html).
    Logicamente, uma das afirmações não corresponde a realidade presente.
    Talvez alguém venha a fazer a sugestão de que o Brasil produza o seu próprio ranking. Desta forma logo ocuparemos o primeiro lugar no mesmo.

    • Hadriano,

      Você está confundindo das coisas. Um dado é o fato que o Brasil ocupava a 13a posição no ranking mundial de produção científica em termos numéricos (atualmente é o 14o). Outro dado é a posição no ranking Times Higher Education das universidades brasileiras. Embora de certa forma relacionadas, são coisas bem distintas.

      Roberto

      • Roberto,
        Certamente não estou confundindo as coisas. O fator chave é a qualidade versus a quantidade. Se as nossas universidades não ocupam um ranking que reflete a presente posição de liderança quanto à produtividade científica (13a ou 14a), a interpretação mais lógica é a de que produzimos pesquisa em grande quantidade, porém de baixa qualidade.

        Hadriano

  3. Muito triste o Dr Mauricio não falar em qualidade da pesquisa brasileira.. quantidade é besteira… Vamos olhar as citações por artigo. Aí veremos que estamos entre os PIORES países do mundo. Meu blog tem demontrado isso há anos…

    Marcelo Hermes – blog cienciabrasil

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