Ao completar 3 anos no último dia 9 de maio, gostaria de comentar o assunto que é um dos principais problemas para a manutenção deste blog. O primeiro é minha atual falta de tempo. A segunda é a qualidade do serviço de conexão à rede da internet, que é um reflexo, ou consequência, da péssima política de gerenciamento do setor de comunicações do Brasil, em particular de acesso à rede da web. Desagradável notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo da última quinta feira, dia 10 de maio, relata que
Internet no país é só a 40ª em velocidade – Helton Simões Gomes
Baixar um arquivo pode levar, no Brasil, até dez vezes o tempo que se gastaria na Coreia do Sul, a líder em banda larga
Faltam cabos de fibra óptica e empresas podem entregar só 10% da velocidade; limite subirá a 60% neste ano
A velocidade média da internet brasileira representa 10% da utilizada na banda larga fixa da Coreia do Sul, a mais veloz do mundo em 2011.
Levantamento da Akamai, empresa americana de infraestrutura de rede, analisou o tráfego de dados na rede da empresa em 187 países. Numa lista de 50 países com ao menos 25 mil acessos à rede, a Coreia do Sul teve a maior velocidade média, com 17,5 Mbps (megabits por segundo). O Brasil ficou em 40º, com média de 1,8 Mbps -a média mundial foi 2,3 Mbps. A diferença entre os países é explicada, sobretudo, pelo déficit de cabos de fibra óptica em várias regiões do Brasil, de acordo com especialistas ouvidos pela Folha.
Na Coreia do Sul, a banda larga se tornou um plano do governo há 20 anos, dando amplitude à rede de fibra óptica, afirma Eduardo Levy, diretor-executivo do SindiTelebrasil (sindicato das operadoras). No Brasil, só no ano passado o governo colocou em sua pauta a banda larga.
As maiores redes de fibra óptica são de operadoras pequenas, como GVT e Net. Oi e Telefônica começaram a ampliar as redes em 2011.
CARRO NA ESTRADA
Além dos gargalos na infraestrutura, as empresas não conseguem fornecer a todos os clientes ao mesmo tempo a velocidade contratada. Ele compara o tráfego na rede ao movimento em uma estrada. A velocidade desempenhada depende da quantidade de “carros” na pista. Se houver um tráfego excepcional, a velocidade cairá. Uma das saídas seria construir mais “pistas”.
Mas ampliar a rede de fibra óptica é caro. A Teleco, consultoria especializada em telecomunicações, estimou em fevereiro que o custo para trocar o cabeamento no Brasil é de R$ 100 bilhões (mais que o triplo do que todas as empresas do setor investiram em 2011). Outro problema é que o preço da conexão de internet por fibra óptica é alto, o que afasta os consumidores. Para driblar esse efeito, o governo autorizou no ano passado que as teles pudessem vender pacotes que incluem TV por assinatura.
“Só tem sentido ofertar alta banda a baixo custo se você consegue ratear o custo disso de alguma forma”, diz Daniel Domeneghetti, sócio da e-consulting, consultoria em infraestrutura de rede.
Apesar da velocidade média baixa, o Brasil foi o oitavo em fluxo de informações trocadas pela rede, segundo a Akamai. O país respondeu por 4,4% da circulação global de dados na rede. Os EUA lideram o ranking, com 10%.
DOWNLOAD DEMORADO
Segundo Domeneghetti, isso não significa que haja amplo público disposto a pagar por um preço maior. “São pessoas que usam internet no escritório e não ligam se o vídeo demora para carregar.” A operadoras não são obrigadas a entregar toda a velocidade contratada. Na prática, entregam 10%, mas a partir de outubro terão de chegar a 60%. Em fevereiro, as operadoras passaram a pôr em seus sites um medidor de velocidade, que será obrigatório a partir de outubro.
Em termos de funcionamento da rede de alta velocidade no Brasil, a situação do país é quase catastrófica. Levantamento realizado pela OECD (Organisation for Economic Co-operation and Development), indica que, nos países que integram a OECD (o Brasil não integra a OECD – veja aqui a lista) o crescimento da oferta de banda larga têm sido exponencial.
O estudo da OECD mostra que o crescimento da banda larga ocorre não somente no trabalho, mas também em residências. Verifica-se que o crescimento de residências com acesso à internet em países que compõe a OECD cresceu significativamente entre 2007 e 2010, especialmente na França, República da Eslováquia, Polônia, República Tcheca, Hungria, Grécia e Turquia.
Na quase a totalidade de países que integram a OECD, praticamente 100% das empresas utilizam a internet.
Em termos de usuários e residências que fazem uso da internet, o Brasil situa-se em 15ª posição dentre os países que não pertencem à OECD, depois de Macau (China), Malta, Lituania, República de Latvia, Croácia, Romênia, Sérvia, Bulgária, Uruguai e Egito.
No entanto, 85% das empresas brasileiras estão conectadas à rede.
Nos países que participam da OECD observou-se um aumento de 20% da velocidade da internet a cabo entre 2008 e 2010, e com uma redução do preço de 5% deste mesmo serviço no mesmo período.
Atualmente nos países que participam da OECD 90% da internet é de banda larga, o que corresponde a cerca de 305 milhões de usuários utilizando este serviço nos países que integram a OECD.
Segundo o relatório “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável”, de autoria do IBGE (de 2010), em 2008 menos de 25% das residências brasileiras tinham acesso à internet.
Os dados do IBGE concordam com os dados do relatório do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) “Análise e recomendações para as políticas públicas de massificação de acesso à internet em banda larga”. O relatório do IPEA mostra que apenas 14,1% da população de grandes municípios (?) têm acesso à banda larga no Brasil, sendo que esta porcentagem cai para 7% em municípios de médio porte e para 3,7% para municípios de pequeno porte do país.
O relatório do IPEA indica que a velocidade média da internet domiciliar no Brasil é menos do que 1 Mbps. Já nos países da OECD, a velocidade mais baixa da internet de banda larga é a do México: 1,5 Mbps. O Japão tem uma velocidade média de banda larga de quase 93 Mbps.
O relatório do IPEA compara a penetração da banda larga no Brasil com a dos países da OECD. No Brasil, a penetração da banda larga fixa é de menos de 6%, enquanto que na Turquia é de quase 9%, na Polônia é de mais de 11%, na Hungria quase 17% e na Holanda, o país com maior penetração de banda larga, é de 38%.
Mas o Brasil apresenta maior desempenho em um quesito: o preço relativo da internet. Neste quesito o Brasil ganha de todos os países da OECD.
Para piorar ainda mais a situação, em 2008 os termos contratuais para oferecimento de serviços de banda larga no Brasil deveriam ter sido revistos pelo governo, de acordo com clausula contratual estabelecida em 1998. Porém, foram renovados com poucas alterações por mais 20 anos, principalmente em termos de ampliação da rede de serviços, mas não se exigiu uma melhoria da qualidade dos mesmos. Só poderão ser revistos em 2028 (veja aqui).
Imagine só, leitor, chegarmos, nós aqui do Brasil em 2028 com um serviço de internet similar ao de hoje. Pense nisso. Porque em 2008 o governo não reviu de maneira extremamente criteriosa os termos dos contratos das prestadoras de serviço de banda larga no Brasil?
Fontes dos dados:
OECD: THE FUTURE OF THE INTERNET ECONOMY -A STATISTICAL PROFILE (Baixe o PDF aqui).
IBGE: INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – BRASIL 2010 (Baixe o PDF aqui).
IPEA: Análise e recomendações para as políticas públicas de massificação de acesso à internet em banda larga (Baixe o PDF aqui).
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Matéria muito boa.