Sobre o Aquecimento Global pela Ação Humana

Texto publicado na edição de hoje (31/7/2012) do jornal Folha de São Paulo, na seção Tendências e Debates.

Mudanças climáticas e governança global – Luiz Carlos Baldicero Molion

Um resfriamento global, com mais invernos rigorosos e má distribuição de chuvas, é esperado nos próximos 20 anos, em vez do aquecimento global antropogênico (AGA) alardeado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O AGA é uma hipótese sem base científica sólida. As suas projeções do clima, feitas com modelos matemáticos, são meros exercícios acadêmicos, inúteis quanto ao planejamento do desenvolvimento global.

Seu pilar básico é a intensificação do efeito estufa pelas ações humanas emissoras de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), por meio da queima de combustíveis fósseis e de florestas tropicais, das atividades agrícolas e da pecuária ruminante.

Porém, o efeito estufa jamais foi comprovado, nem sequer é mencionado nos textos de física. Ao contrário, há mais de cem anos o físico Robert W. Wood demonstrou que seu conceito é falso. As temperaturas já estiveram mais altas com concentrações de CO2 inferiores às atuais. Por exemplo, entre 1925 e 1946 o Ártico, em particular, registrou aumento de 4 °C com CO2 inferior a 300 ppmv (partes por milhão em volume). Hoje, a concentração é de 390 ppmv.

Após a Segunda Guerra, quando as emissões aumentaram significativamente, a temperatura global diminuiu até a metade dos anos 1970.

Ou seja, é obvio que o CO2 não controla o clima global. Reduzir as emissões, a um custo enorme para a sociedade, não terá impacto no clima. Como mais de 80% da matriz energética global depende de combustíveis fósseis, reduzir emissões significa reduzir a geração de energia e condenar países subdesenvolvidos à pobreza eterna, aumentando as desigualdades sociais no planeta.

Essa foi, em essência, a mensagem central da carta aberta entregue à presidenta Dilma Rousseff antes da Rio+20 – assinada por 18 cientistas brasileiros, eu inclusive.

A trama do AGA não é novidade e seguiu a mesma receita da suposta destruição da camada de ozônio (O3) pelos clorofluorcarbonos (CFC) nos anos 1970 e 1980.

Criaram a hipótese que moléculas de CFC, cinco a sete vezes mais pesadas que o ar, subiam a mais de 40 km de altitude, onde ocorre a formação de O3. Cada átomo de cloro liberado destruiria milhares de moléculas de O3, reduzindo a sua concentração e permitindo a maior entrada de radiação ultravioleta na Terra, o que aumentaria os casos de câncer de pele e eliminaria milhares de espécies de seres vivos.

Reuniões com cientistas, inclusive de países subdesenvolvidos, foram feitas para dar um caráter pseudocientífico ao problema inexistente, foi criado o Painel de Tendência de Ozônio no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e foi elaborado o Protocolo de Montreal (1987), assinado pelos países subdesenvolvidos sob ameaças de sanções econômicas. O Brasil também assinou, para ter sua dívida externa renovada.

Em 1995, os autores das equações químicas que alegadamente destruíam o O3 receberam o Nobel de Química. Porém, em 2007 cientistas do Jet Propulsion Laboratory da NASA demonstraram que as suas equações não ocorrem nas condições da estratosfera antártica e que não são a causa da destruição do ozônio.

O AGA seguiu os mesmos passos, com reuniões científicas, a criação do IPCC, o Protocolo de Kyoto e o Nobel (da Paz?) para o IPCC e Al Gore.

Essas foram duas tentativas de se estabelecer uma governança global. Qual será o próximo passo? A Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas da Biodiversidade e Serviços (IPBES)?

LUIZ CARLOS BALDICERO MOLION, 65, doutor em meteorologia pela Universidade de Wisconsin (EUA), é professor da Universidade Federal de Alagoas.

Notícia publicada ontem (30/7/2012) no jornal eletrônico “O Eco” (aqui).

Novo estudo sobre clima muda opinião de cientistas céticos – Leo Hickman

A temperatura da superfície da Terra se aqueceu 1,5 º Celsius ao longo dos últimos 250 anos e “os seres humanos são quase inteiramente a causa”, conclui um estudo científico feito para responder às preocupações dos céticos sobre as causas da mudança climática serem mesmo induzidas pelo homem.

O professor Richard Muller, físico e cético sobre a mudança climática, fundador do Projeto Berkeley de Temperatura da Superfície Terrestre, disse que ficou surpreso com as descobertas. “Nós não esperávamos esse resultado, mas como cientistas é nosso dever deixar a evidência mudar nossas mentes”. Ele acrescentou que agora se considera um “cético convertido” e suas opiniões foram submetidas a uma “reviravolta total” em um curto espaço de tempo.

“Nossos resultados mostram que a temperatura média da superfície terrestre aumentou 1,5o Celsius ao longo dos últimos 250 anos, incluindo um aumento de 0,9o Celsius ao longo dos últimos 50 anos. Além disso, parece provável que, essencialmente, todo esse aumento resulta da emissão humana de gases do efeito estufa”, escreveu Muller em um artigo publicado no New York Times.

A equipe de cientistas com base na Universidade da Califórnia em Berkeley reuniu e consolidou um conjunto de 14,4 milhões de observações de temperatura da superfície, coletadas em 44.455 locais em todo o mundo, datadas desde o ano de 1753. Conjuntos de dados anteriores criados pela Nasa e a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), nos EUA, e pelo Met Office e o Departamento de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, só chegavam até meados do século 19 e usavam apenas um quinto do número de registros de estações meteorológicas.

O financiamento para o projeto incluiu 150 mil dólares da Fundação Charles G. Koch, criada pelo magnata americano bilionário do carvão, que também é um dos principais financiadores do Instituto Heartland, um centro de estudos que reúne céticos. A pesquisa também recebeu 100 mil dólares do Fundo para Pesquisa Inovadora do Clima, criado por Bill Gates.

Ao contrário de esforços anteriores, os dados de temperatura de várias fontes não foram homogeneizados a mão — uma crítica-chave feita por céticos do clima. Em vez disso, a análise estatística foi “completamente automatizada para reduzir qualquer viés humano”. A equipe concluiu que, apesar de sua análise mais profunda, as suas próprias conclusões foram muito próximas das reconstruções de temperatura anteriores, “mas com menor incerteza”.

Em outubro passado, a equipe publicou os resultados que mostraram que a temperatura média da superfície do globo aumentou cerca de 1o Celsius desde meados dos anos 1950. Mas, até então, não havia procurado as causas que explicassem esse aquecimento. A mais recente análise de dados retroagiu muito mais longe no tempo. Seu ponto crucial foi também procurar as causas mais prováveis do aumento, contrastando a curva de subida da temperatura contra as forças mais suspeitas a tê-la causado. A análise envolveu variáveis como o impacto da atividade solar — uma teoria popular entre os céticos do clima –, mas descobriu que, ao longo dos últimos 250 anos, a contribuição do sol foi “coerente com um aumento zero”. As erupções vulcânicas foram consideradas causa para quedas breves dentro da tendência de aumento da temperatura no período 1750-1850, mas esse efeito teve “uma analogia tênue” no século 20.

“Para minha surpresa, de longe a melhor correspondência foi o histórico do dióxido de carbono atmosférico, medido a partir de amostras atmosféricas e de ar preso no gelo polar”, disse Muller. “Embora isso não prove que o aquecimento global é causado por gases de efeito estufa produzidos por humanos, esta é, atualmente, a melhor explicação que encontrei e define o padrão a ser batido por explicações alternativas.”

Muller disse que as descobertas de sua equipe foram mais longe e são mais fortes do que o último relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.

Em um movimento pouco convencional que procurou, através da “total transparência”, apaziguar os céticos do clima, os resultados foram publicamente divulgados antes da chamada revisão por pares (cientistas) a ser feita pelo Journal of Geophysical Research. Todos os dados e análises estão agora disponíveis no site do projeto para ser livremente escrutinados. Isso segue o padrão dos resultados anteriores do grupo, nenhum dos quais ainda foi publicado em periódicos científicos.

Quando o projeto foi anunciado no ano passado, Anthony Watts, blogueiro de destaque entre céticos do clima, foi consultado sobre a metodologia. Ele afirmou na época: “Eu estou preparado para aceitar qualquer resultado que eles produzirem, mesmo que isso prove errada a minha premissa”. No entanto, desde então, surgiram tensões entre Watts e Muller.

Os primeiros indícios sugerem ser improvável que os céticos do clima aceitem plenamente os últimos resultados do time de Muller. A professora Judith Curry, climatologista do Instituto de Tecnologia da Geórgia, que mantém um blog popular entre os céticos do clima e que é consultora da equipe que fez a pesquisa, disse ao Guardian que o método usado para atribuir o aquecimento às emissões humanas foi “sobremaneira simplista e nada convincente, na minha opinião”. Ela acrescentou: “Eu não acho que essa pergunta pode ser respondida pelo simples ajuste de curva utilizado neste trabalho, e não acho que este trabalho acrescenta qualquer coisa sobre a nossa compreensão das causas do aquecimento recente”.

O professor Michael Mann, paleoclimatologista da Penn State, é alvo da hostilidade dos céticos do clima por ter produzido o famoso gráfico em formato de taco de hóquei (“hockey stick”), que mostra o rápido aumento das temperaturas no século 20. Ele se disse satisfeito com os resultados, pois “demonstraram mais uma vez o que os cientistas já sabiam com algum grau de certeza por quase duas décadas”. E acrescentou: “Eu aplaudo Muller e seus colegas por atuar como quaisquer bons cientistas fariam, seguindo as suas análises até onde elas os levaram, sem levar em conta as possíveis repercussões políticas. Pelas suas conclusões, eles certamente serão atacados pelo grupo de negadores profissionais das mudanças do clima”.

Muller disse que a análise de sua equipe sugere que haverá um aquecimento de 1,5 graus na superfície terrestre nos próximos 50 anos. Entretanto, se a China continuar seu rápido crescimento econômico e amplo uso de carvão, então, o mesmo aquecimento pode ocorrer em menos de 20 anos.

“A ciência é o estreito reino do conhecimento que, em princípio, é universalmente aceito”, escreveu Muller. “Eu embarquei nesta análise para responder a perguntas que, a meu ver, não tinham sido satisfeitas. Eu espero que a análise de Berkeley da Terra ajude a decidir o debate científico sobre o aquecimento global e suas causas humanas. Depois vem a parte difícil: achar concordância em todo o espectro político e diplomático sobre o que pode e deve ser feito”.

Alguma bibliografia sobre negacionismo e aquecimento global.



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9 respostas

  1. Esse Molion se complica ao dizer coisas como: “[o efeito estufa] nem sequer é mencionado nos textos de física”. Vide, por exemplo, Giordano, 2012, College Physics vol. 1 (p. 471 – Cengage Learning, 608 pp).

    Pensei em fazer um post no GR sobre o texto do Molion. Mas essas coisas me dão uma preguiça…

    []s,

    Roberto Takata

    • Bota preguiça nisso.
      Esse pessoal do negacionismo, que inclui os do clima, do design inteligente, do buraco de ozônio, do efeito estufa, dos efeitos maléficos do tabaco, já cansou tamto que eles próprios estão virando casaca, por não se aguentarem e não conseguirem sustentar as próprias convicções.
      As consequências do aquecimento global serão as piores dificuldades que a humanidade deverá enfrentar ao longo dos próximos 50 anos. É muita irresponsabilidade afirmar que o aquecimento global não existe. As consequências serão muito piores do que a atual crise financeira. E, o que é interessante, existe solução para o problema. Basta mudarmos de estilo de vida. Mas isso sim, exige um esforço grande.

      abraço,
      Roberto

  2. Caro Roberto

    Se as coisas fossem tão fáceis assim não haveria tanta discussão.

    Primeiro vamos a uma pequena ressalva, ceticismo perante o efeito predominante do efeito do CO2 perante outras causas não é mesma coisa do que negacionismo. Quando se reduz o ceticismo a negacionismo é simplesmente uma forma de desqualificar o discurso de outros comparando pessoas que procuram estabelecer mecanismos claros de causa e efeito com pessoas que simplesmente negam fatos científicos.

    Qualquer cientista cético sério não nega o efeito estufa na conservação da temperatura da Terra. Tanto o Molion como outros sabem que na ausência de gases de efeito estufa sobre a Terra ela seria muitas vezes mais fria do que ela é, mas isto não é 1°C ou 2°C são dezenas de graus Celsius, logo não há negacionismo quanto ao efeito dos gases. Porém o problema principal é outro verdadeiro negacionismo que há nas hostes dos adoradores do AGA, o do efeito do Sol.

    Por mais incrível que pareça, há um verdadeiro negacionismo quanto ao efeito do sol no nosso clima, simplesmente no documento síntese do IPCC negam por completo o efeito do Sol. Vou deixar bem claro que esta negação é feita no documento síntese de poucas páginas que é elaborado por um grupo mínimo de executivos do IPCC a partir de extensos documentos gerados por diversos grupos.

    Poderíamos dizer que este documento síntese retrata uma opinião consagrada da ciência, que considera o efeito solar como constante, entretanto posso inclusive indicar diversos estudos de palioclimatologia publicados em revistas sérias e confiáveis como Nature, Science, PNAS e outras, que mostram claramente o Sol como uma forçante de primeira ordem no clima do passado. Não estou falando de publicações de ONGs ou de sites de origem duvidosa, estou falando de revistas de primeira ordem todas elas sujeitas a revisão por pares.

    O que há de conflitante entre um e outro grupo é a relação causa e efeito entre o aquecimento e o aumento do CO2. Para dar uma referência bem atual sobre o assunto indico: 9,400 years of cosmic radiation and solar activity from ice cores and tree rings de STEINHILBER et al, que poderás obter na PNAS April 17, 2012 vol. 109 no 16, 5967-5971, neste trabalho os autores, mostram claramente a importância da variabilidade solar no clima, o que é rejeitado pelos verdadeiros negacionistas do efeito do sol. Não vou destacar partes do artigo, pois como estou escrevendo para pessoas inteligentes espero que leiam e verifiquem com seus próprios olhos o que estou dizendo.

    Há também nos últimos meses outro trabalho publicado na Nature ou na Science (no momento não me lembro bem, mas se tiverem interesse posso localizá-lo) em que se estabelece com mais clareza o “lag” entre o aumento da temperatura e o aumento do CO2, e neste trabalho eles chegam a um diferença de tempo em torno dos 300 anos, ou seja a temperatura subindo ou descendo antes das maiores ou menores concentrações de CO2, ou seja, a temperatura como uma forçante para o CO2 e não ao contrário. Se há um mecanismo de “feedback” positivo para os efeitos antropogênicos do aumento da concentração do CO2 que talvez se possa discutir, mas simplesmente mostrar dois gráficos ascendentes, temperatura e CO2 simplesmente não se diz nada, pois o que é a causa e o que é a consequência não de enxerga.

    Roberto, no último parágrafo que está à verdadeira discussão, e como sei que tens formação técnica para tanto podes imaginar o problema, se te mostrarem dois gráficos de diferentes propriedades numa direção ascendente ou descendente, só com isto não se tem como determinar se há um mecanismo que causa e efeito claro entre as duas propriedades.

    Outro problema que dificulta a análise é os mecanismos de variação climática são mecanismos de ciclo longo, ou seja, duzentos ou trezentos anos podem perfeitamente ser uma fração do período de uma oscilação natural. Digo isto para trazer um pouco para o lado que tenho pesquisado a algum tempo, não para produzir novos resultados, mas sim para usá-los, a Palioclimatologia. Acho que nela está a resposta de tudo, pois se analisando longos períodos em que não haviam efeitos antropogênicos e que haviam fortes variabilidades climáticas poderemos “filtrar” o que é efeito natural e o que é efeito produzido pelo homem.

    PS.: O trabalho executado pela Universidade de Berkeley não é novo e também tem suas idiossincrasias que o colocam no mesmo nível que os anteriores de MetOffice, mas isto já é assunto para outra longa discussão!

    • Caro Rogério,

      Antes de mais nada, muito obrigado pelo seu longo e detalhado comentário, muito válido.

      As coisas não são fáceis e as explicações não são simples, como você bem mostra. Quando digo que “existe solução para o problema. Basta mudarmos de estilo de vida. Mas isso sim, exige um esforço grande.” vai no mesmo sentido. O “Basta” é irônico, pois, afinal, atualmente a política é, em boa parte, regida pelas regras e demandas do mercado. Ao olharmos para 2008, quando ocorreu o “crash” atual, isso fica muito evidente. Agora a política está tentando tomar as rédeas da situação, mas não está fácil, porque a sociedade se acostumou a um estilo de vida de ter muito, de querer muito, e de querer mais. E simplesmente não dá para termos nem querermos tanto. Os recursos naturais são finitos. Nunca se emitiu tantos gases de efeito estufa quanto atualmente. Mudar de estilo de vida está longe de ser trivial.

      Mas, concordo totalmente com você quanto a ter trocado ceticismo por negacionismo. Pelo menos nos casos em que você menciona, é verdade. Mas o tom do texto de Molion é claramente negacionista, inclusive no ponto que o Roberto Takata, acima, menciona:

      “o efeito estufa jamais foi comprovado, nem sequer é mencionado nos textos de física.”

      Como assim, o efeito estufa jamais foi comprovado? Está mais do que comprovado.

      Também quando ele diz que

      “reduzir emissões significa reduzir a geração de energia e condenar países subdesenvolvidos à pobreza eterna, aumentando as desigualdades sociais no planeta.”

      é uma visão bem simplista do problema, que, como professor, sabe que é bem mais complexo. A contribuição dos países subdesenvolvidos para a emissão de gases é muito, mas muito menor, do que a dos países desenvolvidos. Ou seja, a equação que pode ser elaborada para se abordar este problema é outra.

      Outra mensagem negacionista de Molion

      “suposta destruição da camada de ozônio (O3) pelos clorofluorcarbonos (CFC) nos anos 1970 e 1980.”

      Suposta? A destruição da camada de ozônio pelos CFCs foi comprovada. Para mim, o tom do texto de Molion é claramente negacionista.

      Eu agradeço, sinceramente, por trazer as informações que você menciona. Vou buscar os artigos.

      Mas, vale a pena pensar no seguinte ponto: as consequências do aquecimento global são extremamente sérias. Parece que muita gente ainda não percebeu, ou não quer perceber, ou prefere não levar a sério. Será que temos escolha? Será que teremos que tomar atitudes drásticas somente quando for tarde demais? Ou, mesmo que as consequências não forem tão imediatas, será que neste caso não é imperativo se utilizar do princípio da precaução?

      Abraço,
      Roberto

  3. Roberto
    Agora uma pequena e grande observação, deveríamos ter um contenção efetiva no consumo dos combustíveis fósseis, não por efeito do AGA, mas sim pelo futuro e bem próximo esgotamento dos mesmos, isto sim que é realidade.

    • Caro Rogério,

      Concordo… em boa parte. O problema é que o esgotamento dos combustíveis fósseis está diretamente relacionado ao aumento das emissões de carbono, com as consequências que se conhece, não?

  4. Caro Roberto

    Realmente Molion cai quase numa espécie de negacionismo da importância dos GEE (gases do efeito estufa). O desenvolvimento do raciocínio que o leva a isto pode ser visto em http://www.icat.ufal.br/laboratorio/clima/data/uploads/pdf/REFLEX%C3%95ES_EFEITO-ESTUFA_V2.pdf. Eu particularmente não concordo com ele, principalmente no momento em que ele atribui a pressão a manutenção da temperatura da Terra, isto sim contraria a termodinâmica pois o aumento da pressão e não uma pressão estática que gera calor.

    O problema principal está na importância do CO2 perante os outros GEE como o vapor d’água, e nisto acho que há grandes erros, é uma verdadeira piada, o vapor d’água pode atingir concentrações da ordem de 4% em volume dos gases da atmosfera enquanto a concentração dos outros gases em relação a este são da ordem da ppm. Além disto o espectro de absorção de radiação do vapor d’água é muito mais amplo que os outros gases.

    Aí talvez esteja a maior farsa de toda a teoria antropogênica do aquecimento global. Com o aquecimento ou resfriamento, com maior ou menor abedo das nuvens os efeitos do CO2 e do metano são marginais perante ao vapor d’água. Os cálculos são totalmente truncados, para uma pessoa que entende química como tu, podes imaginar duas reações agindo concomitantes, uma forte e instável, no caso o vapor d’água, e outra muito fraca porém crescente, o ruído causado pela reação forte é muito superior ao efeito contínuo da reação fraca. O verdadeiro cético do AGA, não nega a existência de fenômenos físico-químicos, ele simplesmente dá a verdadeira importância a cada um.

    Quanto a camada de Ozônio, não entrando em considerações sobre a influência ou não dos CFCs, podemos constatar dois situações bem peculiares:

    Primeira delas, as dimensões do furo da camada de ozônio na Antártica tem se mantidas quase que inalteradas mesmo após o protocolo de Montreal, inclusive aumentando nos anos mais frios. Há um site da Noaa ou da Nasa, que mostra isto.

    A segunda situação peculiar, foi que no ano retrasado quando o frio no Hemisfério Norte foi record na era de observação por satélite, verificou-se pela primeira vez a formação de um grande furo na camada de ozônio naquele hemisfério sobre o Polo Norte, note-se que nunca este fenômeno tinha sido observado (atenção, as observações são feitas por satélites, logo nada se sabe sobre isto em períodos que antecedem a era dos satélites).

    Em resumo quanto o furo na camada de ozônio, como diria o nosso saudoso Barão de Itararé, “tem algo mais no ar do que aviões de carreira”, este algo mais pode ser a Dupont (mas isto já cai no ramo da teoria da conspiração).

    • Caro Rogério,
      O efeito da água no efeito estufa pode até ser maior do que o efeito do dióxido de carbono (CO2). Mas a água da atmosfera está aumentando? Não conheço esta informação. Tudo indica que a concentração do CO2 (e do metano, CH4) está aumentando, não é mesmo? Se a pressão parcial do vapor d’água aumenta com o calor que aumenta com o efeito estufa decorrente do aumento da concentração dos outros gases na atmosfera, então o conjunto dos gases atmosféricos (H2O, CO2, CH4) pode estar contribuindo para aumentar o efeito estufa, certo?

      O problema que eu vejo sobre o aquecimento global, ou, usando o termo mais correto, as mudanças climáticas, é que, se estas estão ocorrendo, como muitos estudos indicam, então existe um problema real a ser enfrentado, seja a curto, médio ou longo prazo. É um problema de escala global, e negar este problema pode ser muito arriscado. Não pretendo aqui alardear que existe a possibilidade de uma catástrofe iminente, mas que existe um problema a ser enfrentado. E, interessante, este problema pode afetar seriamente a esfera política. Como?

      Consideremos que hoje a grande maioria dos países com conhecimento científico e tecnológico avançado é de democracias bem consolidadas, senão a totalidade destes países. Agora vamos imaginar que o quadro de mudanças climáticas se agrave. Na busca da resolução rápida de problemas, poucos (ou vários) países passariam a utilizar uma solução com base autoritarista. Que sinuca de bico!

      Muitos acham que as mudanças climáticas são um mito, uma mentira. Bom, sinceramente, espero que sim! Mas… e se não forem? E se não forem e perdermos a oportunidade de tomarmos decisões e implementarmos ações em tempo? Nossos filhos e netos não nos perdoarão por isso.

      Voltando ao caso da democracia, estamos vivendo um momento difícil em virtude da crise econômica que se iniciou em 2008 e, por isso, as mudanças climáticas saíram da agenda política (como ficou bem evidente na Rio+20). Se houver algum país com um governo de verdadeira coragem de abordar este problema de frente no momento atual, será uma grande demonstração de liderança.

      Na raiz deste problema estão dois fatos notórios: o crescimento populacional e o aumento do consumo. Alguns estudos mostram que a população mundial se estabilizará somente quando chegar aos 12 bilhões de pessoas, um número de humanos totalmente sem precedentes para viver no planeta Terra. O espectro de Malthus pode eventualmente voltar a nos rondar, apesar de todo o desenvolvimento científico e tecnológico que até agora colocou por terra os argumentos do economista inglês. Já outro pesquisador inglês, John Beddington, afirma que por volta de 2030 o mundo já estará com falta de água, de energia e de alimentos (http://www.guardian.co.uk/science/2009/mar/18/perfect-storm-john-beddington-energy-food-climate), que causarão migrações em massa e diversos conflitos em países pobres.

      Por enquanto, pouca, ou quase nenhuma, ação efetiva foi implementada para se enfrentar estes problemas de frente. Enquanto isso o consumo aumenta (o que é visto com muito bons olhos aqui no Brasil), em decorrência de uma demanda cada vez maior de bens e serviços, muitos dos quais de essencialidade questionável. Afinal, de quantos carros precisa uma família? Quantos telefones celulares uma pessoa necessita?

      Paralelamente, os políticos não sabem muito bem o que fazer. Se por um lado é necessário se considerar (e se implementar!) uma agenda de diminuição da demanda por recursos naturais e de emissões de carbono, por outro lado não se pode desagradar o eleitor. Mais do que desagradar o eleitor, porém, seria necessário demonstrar que é possível se viver muito bem consumindo menos. Ou seja, diminuindo a demanda. Mas, estas são decisões e ações muito impopulares para serem tomadas. Quem quer pagar o preço por isso?

      Vários observadores políticos acham que será necessário se implementar governos menos democráticos caso se confirme em definitivo a ação humana nas mudanças climáticas, para que decisões rápidas possam ser tomadas. Já pensou? O grande desafio para se enfrentar as consequências das mudanças climáticas será a manutenção, e até mesmo o fortalecimento, dos regimes verdadeiramente democráticos. Neste quesito, o suporte a ser oferecido pelo conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico pode ser essencial; mas até agora conseguimos muito pouco. Carros que emitem menos poluentes, combustíveis que geram menos CO2, e outras ações desta natureza são muito pontuais para surtir efeitos efetivos.

      O desafio a ser enfrentado para evitar, mitigar ou solucionar os problemas decorrentes das mudanças climáticas será um exercício democrático realmente interessante. E a sociedade terá que estar formalmente engajada, e não somente atuando como observadora deste processo, querendo consumir cada vez mais. Um compromisso social entre representantes e representados será a única forma de se estabelecer ações efetivas contra as mudanças climáticas. Tanto como os direitos, a democracia também nos obriga certas responsabilidades. Para isso, o público terá que estar atento e atuar junto à esfera política, de maneira a balizar interesses de poucos em detrimento do benefício de muitos. Cobrar dos políticos nossos direitos é importante, mas temos também que assumir nossas responsabilidades. E na questão das mudanças climáticas, a tomada de consciência e participação da sociedade na implementação de políticas, diretrizes e ações será absolutamente imprescindível, sob pena de termos que arcar com um ônus grande demais se as previsões se confirmarem. Infelizmente uma campanha em favor da diminuição das emissões de carbono implica em ser uma campanha por menos consumo. É uma campanha pela austeridade, por menos em vez de mais. Tais mudanças são difíceis, muito difíceis, mas são tecnicamente possíveis. Como representantes da sociedade, os políticos terão que ter a coragem de enfrentar os fatos para proporem formas de se implementar tais políticas de austeridade, contra a vontade imediata de muitos. Mas talvez não exista outra saída. Somente educação da sociedade e a democratização da informação poderão estabelecer as fundações para se elaborar estratégias para se enfrentar as mudanças climáticas e suas consequências.

      O problema é que o conceito atual de democracia está fortemente associado ao consumo, ao individualismo e à obtenção de bens materiais. Porém, é perfeitamente possível (e necessário!) que se estabeleça um novo modelo de democracia fundamentado em sustentabilidade, contra a ênfase no crescimento econômico a qualquer custo.
      Soluções de sustentabilidade irão necessitar da participação de indivíduos, comunidades e países. Será um processo complexo e difícil, mas talvez seja um dos maiores desafios que a humanidade irá enfrentar para seu próprio bem. Será um verdadeiro exercício de cidadania global, de estabelecimento de instituições cosmopolitas, com capacidade de estabelecer novas relações com base na democracia e na liberdade.

  5. Roberto

    Quanto as tuas justificativas para diminuirmos o consumo pelo consumo de bens naturais estou perfeitamente de acordo, mas acho que devemos partir de razões reais e perfeitamente inquestionáveis.

    A diminuição do consumo de combustíveis fósseis fica perfeitamente justificado não pela emissão ou não de GEE, mas sim por um horizonte bem próximo do fim da era do petróleo barato (petróleo que se extrai facilmente), acho que devemos evocar fatos reais e inquestionáveis para combater o desperdício sem qualquer limite de meios limitados, porém fico preocupado quando se lança mão de hipóteses questionáveis para justificar ações inquestionáveis.

    A luta contra a maior emissão de GEE pode inclusive ser um verdadeiro atraso na luta contra a insanidade consumista da nossa civilização, caso com o tempo se demonstre que a influência desses é praticamente indiferente ao clima, é possível a criação de um descrédito ao meio científico e acadêmico e com isto se postergar até o limite a luta contra o real desperdício de recursos naturais.

    Se associa impropriamente poluição com CO2, e se por um acaso se verificar que este gás não produz os efeitos que muitos pensam que ele produz, se baixará a guarda, como um pugilista no meio de um combate, recebendo do adversário o soco final sem estar preparado para defendê-lo.

    Quanto o problema da contraposição do vapor d’água e o CO2, peço que faça um pequeno cálculo comparando 70 ppm (variação do CO2 medida entre 1970 e 2012) com 4% de concentração em volume, é algo que tem ordens de grandeza de diferença e por exemplo com uma variação na temperatura de poucos graus o ruído introduzido pela variação da umidade no ar é muito superior a variação absoluta do CO2 na atmosfera, como químico sabes calcular isto muito melhor do que eu. Se eu não estiver errado em minhas contas (e ero muito) as 70ppm em relação aos 4%, correspondem a 0,175% da concentração de vapor d’água, ou seja se considerarmos uma variação natural da umidade do ar de 2% esta variação é 10 vezes superior a variação do CO2. Acrescentando a isto que a capacidade de absorção do espectro de ondas do vapor d’água é no mínimo quatro vezes superior ao do CO2 (aí ter-se-ia que ir bem mais longe no cálculo, olhando comprimento a comprimento de onda) o efeito de variações naturais de menos de 0,5% na umidade do ar corresponderiam ao efeito de tudo que se mediu até hoje.

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