Pós-Graduação em Química: Educação em Foco – VI

E A EDUCAÇÃO NA PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA NO BRASIL?

Em outubro de 2011 foi realizado o “Fórum de Pós-Graduação em Química” no Conselho Regional de Química IV, em São Paulo, durante o qual foi apresentado e discutido o “Documento de intenções para reflexão e debate” para diretrizes de programas de pós-graduação em química (o qual se encontra disponível aqui). O sumário das discussões é o que se segue.

1. Credenciamento de novos docentes: Após ampla discussão, ficou estabelecido que os programas devem estimular o credenciamento dos novos contratados e, para isso, a produção de docentes contratados há menos de 5 anos será considerada, mesmo sem a presença de discentes; entretanto, o docente não será considerado no denominador da equação. Uma dúvida que persiste é sobre a definição de “novos”. Vale para os docentes já contratados há menos de cinco anos? Onde essa informação será inserida no relatório dos Programas, para que esse diferencial seja aplicado?

2. Aumento do quadro de docentes permanentes: As opiniões divergentes entre os coordenadores e o representante da área levaram a suspensão da discussão, sem definição para este item. É importante ressaltar que as características de algumas instituições, que apresentam caráter multidisciplinar, fazem com que diversos docentes não tenham o perfil adequado para atuar na Pós-Graduação. Desta forma, aplicar um fator de correção, qualquer que seja ele, pode distorcer a realidade local e prejudicar o programa. Além disso, a própria Capes, num passado recente, aconselhou os programas a descredenciarem os docentes com baixa produtividade. O Fórum acredita que devem ser encontrados mecanismos de estímulo a esses docentes, para que possam melhorar seu desempenho. Por outro lado, nem todo docente quer participar das atividades de pesquisa, especialmente se já possui mais tempo de casa e foi contratado quando essa exigência não existia.

3. Qualis de periódicos: O Fórum encaminhará ao Coordenador da Área de Química, uma lista com as sugestões dos periódicos indicados pelos Programas, para integrar o Qualis de periódicos da área de Química.

4. Livros, capítulos de livros e patentes: Os coordenadores concordam que essas produções devam ser mais valorizadas, e aguardam a definição dos critérios que serão utilizados pela comissão de avaliação.

5. Ética em pesquisa científica e em publicações: O Fórum de PG enfatiza a necessidade de abordar esses temas, seja na forma de seminários ou cursos curtos, para complementar a formação dos pós-graduandos.

6. Disciplinas voltadas ao empreendedorismo, desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento de produtos biotecnológicos: O Fórum concorda que é importante incentivar o crescimento dos programas e o oferecimento de novas disciplinas, definidas pelos Programas, levando em conta suas áreas de concentração e a qualificação do seu corpo docente.

7. Visitas e apoio a programas menos consolidados: Os coordenadores enfatizaram a necessidade de visitas às instituições que pretendem abrir um novo programa de PG, bem como aos programas com notas 3 e 4, exceto aqueles que foram promovidos a 4 no triênio. Também consideram obrigatória a visita aos programas que foram rebaixados no triênio, no menor prazo possível. Como proposto pela Área, os coordenadores também concordam com a presença dos dirigentes da Instituição.

8. Olhar diferenciado aos programas menos consolidados: Os coordenadores concordam com a proposta da área, ressaltando a diversidade dos programas, seja em função da sua proposta, bem como em função das diferenças regionais desses programas.

9. Ciência sem Fronteiras: Os coordenadores concordam com os benefícios dos estágios feitos no exterior, como o domínio de língua inglesa, o conhecimento de uma cultura diferente e, especialmente, as cooperações que podem ter origem. Por outro lado, há uma preocupação em relação à evasão desses alunos do sistema educacional brasileiro.

10. Qualidade na formação de mestres e doutores: As discussões feitas no XI Workshop de Pós-Graduação, realizado conjuntamente com o 7º  Encontro de Coordenadores de Graduação, mostram a complexidade desse tema e a necessidade urgente da valorização da carreira docente. Esta valorização depende fortemente da vontade política do governo, que precisa ser induzida por entidades de classe, e deve ocorrer, sobretudo, para os docentes atuando no ensino fundamental e médio. Além disso, deve ser feita uma discussão no âmbito de cada Instituição para a avaliação desse tema. Ficou evidente a necessidade de pensar e estabelecer critérios/parâmetros objetivos de avaliação das atividades docente para atingir a qualidade requerida na formação discente, já que o estabelecimento de parâmetros objetivos de avaliação da produção científica (Qualis) resultou no crescimento real das atividades de pesquisa nos Programa de Pós-Graduação em Química.

11. Formação acadêmica do discente: O Fórum entende que este assunto está relacionado ao item 10, mas concorda que novas disciplinas devem ser oferecidas, sempre que o programa julgar adequado, levando em conta sua Proposta e a qualificação de seu corpo docente. O Coordenador da área re-afirmou a necessidade do oferecimento das disciplinas básicas das quatro áreas. A obrigatoriedade de cursar uma ou mais dessas disciplinas deve ser definida pelos Programas.

12. Redes de pesquisas: O Fórum de PG concorda sobre a importância da participação em redes de pesquisas. Apesar da sugestão para que este item não seja levado em conta na avaliação dos Programas, é desejável que docentes e grupos de pesquisa participem de projetos em rede de pesquisas, como INCTs, PRONEX, CEPIDs, etc., de acordo com as particularidades de cada Programa.

13. Indicação de 24 publicações no triênio: O Coordenador da área enfatizou a necessidade da indicação de 24 publicações, de diferentes autores, para os Programas 6 e 7. A avaliação levará em conta a soma dos fatores de impacto dos periódicos das publicações indicadas, as quais deverão ter a presença de discentes. Para os demais Programas valem as recomendações estabelecidas no Documento de Intenção. Apenas um review poderá se indicado. Ficou estabelecido que será considerada apenas a informação contida no último relatório do período em avaliação, na parte de Proposta do programa, uma vez que nesse momento os coordenadores podem verificar de forma mais consistente a produção de cada docente.

14. Acompanhamento anual dos programas de pós-graduação: O Coordenador da Área esclareceu que a CAPES fará um “acompanhamento anual” e não mais a “avaliação continuada” dos Programas. Para isto, serão agendadas reuniões anuais com os coordenadores. Vale lembrar que, para o ano de 2011 a reunião já foi agendada para os dias 5, 6 e 7 de dezembro, na sede da Capes, em Brasília. Nesta reunião, os programas de química nota 4, 5, 6 e 7 farão uma apresentação de 15 minutos, mostrando os indicadores e outras informações relevantes, referentes aos anos de 2010 e 2011. Os programas nota 3 terão maior tempo de apresentação (30 minutos).

15. Valorização de seminários, conferências, palestras: Os coordenadores concordam com o teor do item.

16. Editores de periódicos de circulação internacional: Os coordenadores concordam com o teor do item.

17. Valorização de Prêmios e Distinções: Os coordenadores concordam com o teor do item.

18. Atividades de ensino: Após a discussão deste item, ficou estabelecido que as atividades docentes devem ser melhor pontuadas na avaliação. Entretanto, ainda não existem critérios para essa pontuação. De acordo com o Coordenador da Área, elaboração de apostilas ou material didático diferenciados, deveriam ser considerados, não como uma produção bibliográfica, mas em atividade de ensino.

19. Liderança científica e política do corpo docente: O Fórum de concorda com o item proposto.

20. Estratégias de internacionalização: O Fórum de Coordenadores de PG concorda com a necessidade de estabelecer estratégias para a  internacionalização dos programas. Entretanto, além de colaborações individuais de docentes, é desejável que as Instituições às quais os pesquisadores brasileiros estão vinculados estabeleçam convênios formais com instituições estrangeiras para o desenvolvimento de projetos conjuntos.

21. Propostas Dinter/Minter: O Fórum concorda com o item proposto.

22. Política de indução: O Fórum entende que a área de Química deve estimular o avanço da área, em conjunto com os Programas e levando em conta as particularidades regionais. .

23. Programas 6 e 7 devem ser fortes nas grandes áreas da Química: Os coordenadores gostariam de debater este item com Coordenador da Área.

24. Apoio da área de Química na Capes a participação em eventos no exterior: O Fórum entende que este item é um esclarecimento e não há necessidade de discussão.

25. Mestrado Profissional: O Fórum concorda que há espaço para o crescimento desta modalidade de ensino, mas a decisão deve ser o resultado de profundas discussões com a comunidade de cada Programa.

26. Prova nacional de ingresso na pós-graduação em Química: Depois de uma longa e aprofundada discussão, o Fórum concluiu que a discussão deste item deve iniciar-se nos Programas de Pós-Graduação e, posteriormente ser feita em  âmbito regional ou nacional.

Outros pontos discutidos:

O Fórum gostaria que alguns aspectos da avaliação Capes fossem repensados e discutidos, uma vez que não refletem o desempenho dos docentes nem a formação de recursos humanos qualificados (discente), como a utilização do índice ESI e o índice h do Programa. Esses e outros índices são sempre contestáveis, podem conter erros e são difíceis de serem avaliados.

Como é possível se verificar, existe uma real sintonia entre vários pontos discutidos no Fórum de Pós-Graduação em Química, aqui no Brasil, e o Workshop “Challenges in Chemistry Graduate Education”, realizado nos EUA em janeiro deste ano. Isso demonstra que a comunidade de pesquisadores em química do Brasil está preocupada em avançar nas discussões e ações para se melhorar cada vez mais os programas de pós-graduação em química do Brasil. O documento do Workshop norte-americano pode certamente contribuir para que as discussões e ações para a PGQ no Brasil avancem ainda mais.



Categorias:educação, gestão acadêmica

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2 respostas

  1. Boa tarde Roberto,
    Excelente contribuição. A série dos seis posts é muito boa. Baixei o documento para ler.
    Oxalá possamos fazer a mesma discussão no Brasil.
    Obrigado pelo trabalho de nos manter bem informados.

    Abraços,

    Aprigio

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