Indústria química comemora acordo UE-Mercosul e prevê aumento de exportações

Indústria química comemora acordo UE-Mercosul e prevê aumento de exportações

Reportagem de Alberto Alerigi Jr. Hoje, no jornal Folha de São Paulo.

A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) afirmou nesta sexta-feira (9) que considerou positivo a confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e avalia que o pacto deve gerar oportunidades de ampliação de exportações brasileiras do setor.

“O acordo representa uma oportunidade concreta de reposicionar a indústria química brasileira em cadeias globais de maior valor agregado”, afirmou o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, em comunicado à imprensa.

Os países da União Europeia deram sinal verde para que o bloco assine o maior acordo com o Mercosul, mais de 25 anos após o início das negociações, depois de meses de disputa para garantir apoio suficiente.

A aprovação abre caminho para que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul em Assunção. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina informou que a cerimônia de assinatura será realizada em 17 de janeiro.

A confirmação do acordo acontece em um momento que setores da indústria química brasileira, como petroquímico, reclamam de excesso de oferta da China nos mercados globais, o que tem pressionado os preços internacionais e atingido os resultados.

Segundo Cordeiro, o acordo “amplia o acesso a mercados, incentiva o intercâmbio tecnológico e cria um ambiente mais previsível e moderno para investimentos, especialmente em áreas como bioeconomia, química de base renovável e energia limpa”.

A balança comercial da indústria química entre Brasil e UE, segundo dados citados pela Abiquim, terminou o ano passado com saldo negativo de US$ 13,5 bilhões ante déficit de US$ 12,7 bilhões em 2024.

O Brasil exportou US$ 2,2 bilhões a países da UE em 2025 ante US$ 2 bilhões em 2024. Enquanto isso, as importações de produtos químicos da UE ao Brasil somaram US$ 15,7 bilhões e US$ 14,7 bilhões em 2025 e 2024, respectivamente.

A maior categoria na pauta comercial do setor químico é o farmacêutico, segundo os números da Abiquim, com as importações brasileiras chegando a US$ 8,7 bilhões no ano passado. No caso das exportações, a maior categoria no ano passado foi a que reúne produtos químicos orgânicos (US$ 542,7 milhões), que incluem itens como solventes, gases e cotantes.

A Abiquim afirmou que o tratado prevê ampla liberalização tarifária para bens industriais e agrícolas, com prazos de desgravação escalonados, “respeitando as especificidades e sensibilidades de cada mercado”.

A oferta do Mercosul contempla a liberalização de aproximadamente 91% dos bens e 85% do valor das importações brasileiras provenientes da UE, enquanto a oferta europeia abrange cerca de 95% dos bens e 92% do valor das importações oriundas do Brasil, afirmou a Abiquim.

O acordo também incorpora cláusulas sobre sustentabilidade, compras governamentais, propriedade intelectual e novas tecnologias, citou a entidade.

Por sua vez, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirmou que “recebeu com entusiasmo” a autorização para a assinatura do acordo comercial, e citou que o texto “não é perfeito, mas foi o acordo possível para conciliar interesses de 31 países, em um cenário de transformação do comércio internacional”.

Segundo a entidade que reúne as maiores indústrias do país, o acordo mudará substancialmente a forma com que as empresas do Mercosul e da UE fazem negócios, importam, exportam e investem entre si.

“Para a Fiesp, o trabalho de verdade começa agora. Caberá a todos nós inovar, melhorar a produtividade e buscar incessantemente a excelência da porta para dentro das fábricas, onde já fazemos frente aos competidores europeus”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Skaf, em comunicado à imprensa, citando necessidade de se assegurar “isonomia competitiva que permita ao empreendedor nacional prosperar e tirar o máximo proveito das oportunidades que o acordo oferece”. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser assinado e ratificado pelo Congresso do Brasil e pelo Parlamento Europeu.



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1 resposta

  1. Avatar de LUCIA PINHEIRO SANTOS PIMENTA

    Sem dúvidas este acordo abre muitas portas para a indústria nacional. Cabe a nós brasileiros trabalharmos para inovar, e não somente sermos fornecedores de comodities de baixo valor agregado para os europeus e ficarmos importando produtos de maior valor agregado. Temos que ficar de olho em nossos recursos minerais que continua a menina dos olhos dos europeus. Precisamos fornecer tecnologia e não só matéria prima. Este acordo é uma boa notícia para diversos setores dos país e para mostrar que o multilateralismo ainda é defendido e o acordo entre os países ainda continua a ser a maior opção frente ao colonialismo que alguns querem impor ao mundo.

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